português

21 Feb 2015

Enquanto trabalho no nosso novo site, tenho aos meus pés as loiças. São três caixas cheias de loiças respigadas pela Alexandra, exímia observadora de tesouros, guardadas debaixo da minha mesa de trabalho.





Na parede, estão os postais que desenhamos a duas com as imagens de objectos portugueses e azulejos únicos. No armário estão as ilustrações. Estou rodeada do mundo da Mariamélia, uma história imaginada há uns meses que ganha vida em cada peça e, cada vez mais, em cada colaboração.


É um projecto que nasceu a partir de um desejo de criar objectos especiais, da continuidade de um gosto pelo português, das coisas da tradição sem ser-para-turista. Das coisas que são mesmo da memória colectiva: os materiais, as cores, os desenhos, as pessoas. Quisemos pôr essas coisas todas numa loja, num produto, numa peça de malha.


Se cada vez se elogia o "produto português", cada vez mais também se esquecem as memórias (reais) que se substituem por artifícios com ar-de-tradição, que não elogiam a memória nem o saber. Mas como a memória é construção — por si só um artifício da imaginação — teremos de a construir todos, de formas diferentes, acreditando que o bom e o mau gosto não vivem só de verdade mas também de um sexto sentido, uma intuição para o autêntico.

Acredito nisso: é como se trouxéssemos dos nossos antepassados esse gosto (intencional) pelo detalhe, pelos materiais, pelas cores, pelos desenhos. Um gosto secular, alimentado por gerações. Na Mariamélia queremos cuidar desse gosto, e cruzá-lo com olhares contemporâneos, para que a memória tenha que ver com uma construção sobre a tradição e não uma repetição de fórmulas.

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