Manifesto

14 May 2015





Quando falamos dos produtos que fazemos falamos sempre "dos nossos" produtos. Estes azulejos de papel são talvez o mais "nosso" de todos. São fruto de uma ideia muito simples, e de desenhos repescados nas fotografias infinitas de azulejos da Alexandra Macedo. São uma ideia das duas, desenhados por mim a partir das imagens dela, mas são, acima de tudo, uma formulação essencial deste projeto: um objeto acessível, simples, prático, com utilizações infinitas, com uma tendência para o uso lúdico e visual, sem ter apenas o objetivo da "decoração" de um espaço. 

Este produto tem que ver com imagens, com desenhos, e por isso, tem muito que ver com a Mariamélia, esse alter-ego em forma de personagem que inventamos para poder dar corpo a um projeto, mas também para nos proteger como criadoras de termos que dar o corpo ao manifesto.





Gostamos pouco de nos colocar à frente do trabalho, preferimos sempre ficar atrás, mas sabemos que cada vez mais as pessoas querem conhecer as caras por trás das marcas. 


Como tanto fazemos coisas com as mãos como com o computador (e muitas vezes quase simultaneamente) não sabemos ainda bem como dizer o que somos. Queremos desenhar, pensar, projetar vários produtos para a casa, mas também para brincar. Queremos usar desenhos que são da tradição, mas também redesenhar esses desenhos e deslocá-los, dar-lhes novos significados e usos. Queremos promover princípios de consumo éticos, tal como uma ideia de gosto, mas temos a consciência que esse tipo de consumo apenas é possível para uma minoria.

Só sabemos que a Mariamélia, esse projeto a duas mãos, quer ter algo a dizer sobre objetos portugueses feitos manualmente, sem rótulos nem palavras estrangeiras a confundir.
Gostamos também (as duas) de escrever textos longos, mas isso não é defeito, é feitio.

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