Viagens

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As viagens foram muitas, na procura do melhor que se faz por cá. Visitamos algumas feiras e mercados e ficamos a conhecer melhor algumas cidades. Viajar tem sido das melhores coisas deste projeto, construindo não só uma visão mais informada do país, mas também uma forma de conhecer a memória dos locais nas imagens que levamos connosco. A predileção por padrões, por azulejos e por plantas pode ser vista nas imagens que partilhamos dos sítios por onde passamos.

Desde a primeira viagem a Barcelos, onde nasceram muitas das ideias para a nova Mariamélia, que resolvemos que esta é a única feira que não só nos inspira, mas também nos põe em contacto com os artesãos que fazem os objetos que queremos. É também a única feira — no sentido histórico da palavra — que ainda subsiste por cá, pelo menos na zona Norte. Como em tantas feiras, muito do que se vende já não é de produção nacional.

Muitos processos, mais ou menos claros, ditaram o desaparecimento da prática do verdadeiro artesanato, sendo que o principal está relacionado com a alteração do valor do trabalho e, consequentemente, do valor das matérias-primas. Aquilo que hoje se entende por artesanal não é o mesmo que era entendido como artesanal há uma geração atrás.

Os paradigmas mudaram, e aquilo que procuramos hoje em dia num processo artesanal é também um caminho, que se apresenta quase sempre como uma alternativa a outros objetos disponíveis no mercado. Aquilo que pretendemos valorizar aqui é também a manufactura e as condições em que esta acontece, procurando um processo mais justo e mais próximo, a um nível local — que nos possa assegurar o conhecimento das matérias-primas, dos materiais e dos métodos utilizados.

mariamélia